porque é que a minha vida está estagnada no mesmo sítio há imenso tempo? nada avança, nada recua, está tudo na mesma. os dias passam, eu ocupo-os de nada.
as palavras escasseiam, porque o meu coração tem ritmo próprio, monótono e ritmado. não há nada que o enlouqueça, nada que o deixe frio, nada que o faça chorar, nada que o magoe e que o deixe com feridas abertas. ás vezes preferia sentir isso, do que nada. é um vazio tão grande acordar sem saber porquê, olhar para a janela e não conseguir apreciar o dia lá fora, o ar fresco da manhã a bater-nos na cara. os passos que dou estão sem destino e, quando à noite vou para a cama e fecho os olhos, os meus pensamentos são tão supérfluos e fugazes como um relâmpago no céu, mal o vimos, mas depois, sentimos o seu impacto.
necessito de cometer uma loucura, de quebrar uma regra, de fazer um erro. apenas para me sentir viva, apenas para saber que faço alguma coisa neste mundo cada vez mais distante de mim.