cada vez mais anciosa para que o momento chegue.
27.4.10
25.4.10
realidade pouco palpável
tantas suposições e tantos sonhos, para quê?
nós temos de acordar depois, porque viver para sempre num castelho rodeado de maravilhas não dá.
pode ser agradável ao ínicio, mas depois as coisas confundem-se e nem sequer conseguimos saborear a realidade.
- simplesmente á espera que o tempo passe
23.4.10
já tenho saudades
porque é que nós, seres humanos, acreditamos sempre que sim, que está tudo bem quando na verdade não está?
assumimos sempre as responsablidades de tudo e na verdade não temos nada a ver com o assunto.
eu sempre quis acreditar que sim, que por mais obstáculos que se travassem no nosso caminho, nós continuariamos de mãos dadas em direcção ao futuro, mas não. porque passado um tempo, começa a faltar qualquer coisa. não sei explicar o quê, mas começa a faltar um olhar, uma mão, um abraço e quando se está distante não se consegue fazer isso. por mais que eu queria que isto resulte, simplesmente não dá. quando as coisas começam a ser forçadas, então é que não dá mesmo e foi o que nos aconteceu. não vou dizer que foi por falta de empenho, de dedicação porque isso não existe. uma amizade nunca teve de se contruir com empenho e dedicação. claro que certas vezes temos de baixar as armas e admitir que errámos com a outra pessoa e saber pedir desculpas, mas não é perciso ir lá e pedir desculpas para o ar, como se aquilo fosse uma obrigação e não uma necessidade.
mete-me triste ver o que eramos e ao que chegamos, mete a sério. podes pensar que não, que para mim está tudo na mesma, mas não é verdade. há certas alturas da nossa vida que temos de olhar bem para dentro e ver o que nos faz feliz, temos de deixar partir as pessoas que gostamos e temos de saber respeitar as suas decisões. eu respeito-te e compreendo que seja muito complicado tambem para ti, ver o que eramos e o que nos transformamos mas a vida é mesmo assim, quando nós pensamos que temos tudo garantido troca-nos as voltas e depois aterramos num sítio desconheçido e lá temos nós de começar a perceber o terreno.
obrigada por os momentos maravilhosos que me criaste, estão guardados na minha memória e no meu coração. por favor, percebe que há certas coisas que nós temos de aceitar, por mais que nos custe. já nao consigo viver mais numa amizade forçada. claro que as amizades teem pontos bons e maus mas começa-me a faltar muita coisa! ao principio, ignorei esses sinais e fui andando mas agora tornam-se cada vez mais evidentes. eu queria-te aqui, ao pé de mim . mesmo que queiramos muito que isto resulte e que tenha pernas para andar para a frente, ás vezes o que nós queremos não tem força suficiente e o coração esqueçeu-se de esperar por novos confortos.
eu gosto imenso de ti, e mesmo que sigamos caminhos diferentes não quer dizer que tenhamos de nos separar obrigatoriamente nao é? eu acredito sempre que te vou ter sempre aí.
obrigada
amo-te
19.4.10
busca de sentido
há um momento da nossa vida que nós paramos e pensamos. o momento chegou. chega de supostas amizades, de palavras proferidas ao acaso. chega de risos falsos e de brincadeiras sem sentido. chega de pessoas que saiem da minha vida e deixam pegadas na areia que nem o mar consegue apagar. eu já não vou lutar mais por causas perdidas, por aquilo em que acredito porque depois sou sempre eu que fico com o corpo na lama.
eu por acaso, gostava de sentir estas palavras que escrevo mas a verdade é que não sinto nada disto. quando aparecer alguma coisa que eu pense que valha a pena, deixo para trás tudo o que pensei em tempos, todas as promessas que eu tenha dito, para me agarrar com unhas e dentes a algo de novo e que mereça a minha atenção. sempre foi assim comigo. mas ultimamente, não tenho tido sinais e ando um bocado perdida, desamparada, sem sentido. eu posso acreditar muitas vezes e proferir um milhão de vezes em voz alta e audível que nunca mais me vou deixar enganar, mas são só palavras para enganar o meu coração e o que relamente sinto. são só palavras para o ajudarem a seguir outro caminho e convence-lo que afinal acredito no que digo. eu tento seguir outros caminhos, mas não vale a pena porque as minhas esperanças, sonhos, alegrias, as minhas marcas de vida continuam no ínicio do percurso e nada me vai fazer voltar para trás. posso dar muitos passos em frente, mas sei que quantos mais dou, mais quero voltar e cada vez mais perco o sentido.
só queria seguir com a minha vida para frente, porque ela parece que empancou, que não avança, que não se constrói nada á minha volta, que ando a vaguear para ver o que aconteçe a seguir. sinceramente, eu espero um impulso, uma pessoa, um momento que me faça de novo voltar a acreditar que a vida pode mesmo seguir outro rumo e que afinal ainda há céu lá fora onde possamos olhar.
16.4.10
farta de viver sem objectivos
gostava tanto de quando as coisas apertam, saltar para um buraco e sair quando tudo estivesse mais calmo. não seria muito melhor não ter de lidar com os problemas cara a cara? não percebo, juro que não percebo.
anda tudo ás avessas. as pessoas andam falsas, sem paciência, fartas umas das outras. isto é suposto ser uma amizade? é que se for, avisem-me. já nao há ninguem que me ouça, que se preocupe como estou ou como vou ficar.
estes anos de cumplicidade, de sorrisos, de gestos, de momentos, de palavras, de segredos, para quê? depois disto tudo, para que? para deitarem tudo isso para o lixo? é que se não é, parece. parece que tudo o que eu investi em cada um de voces foi deitado para o ar para ver qual é que cai primeiro ao chão. não, não esperava isso de vocês, logo de vocês que eu sempre considerei as melhores pessoas da minha vida. sim, gostava que tudo fosse muito diferente do que na realidade é mas o que posso fazer? estou cansada de lutar por uma coisa que já não existe, ou se existe está perdida por aí. estou farta de esperar mais e mais de todos voces para depois ficar caida no chão e ter de ser eu a levantar-me sozinha, sem a vossa ajuda.
hoje apetece-me fazer parar o mundo e reviver tudo o que em tempos me fez feliz. nós, a rir ás gargalhadas, mas gargalhadas puras e não forçadas. onde anda isso?
hoje, dava geito um pouco de inocência. prefiro ficar na ignorância, porque há certas coisas que não me faz diferença saber.
hoje apetecia-me escrever um livro, andar por aí de mochila ás costas com uma vida pela frente, sem ninguem ao meu lado. apetcia-me ver as estrelas e ficar toda a noite de olhos postos na lua. hoje queria novas experiências.
esta monotonia começa a ficar insuportável e tento todos os dias, combate-la.
7.4.10
o que é verdadeiro, nunca se esqueçe
saí do carro, fechei a porta e premi o botão da chave para trancar o carro. vesti o casaco e pus a carteira no ombro. começei a andar, passos largos e lentos, com a cabeça para baixo a apreciar a calçada. encontrei um café na esquina e decidi parar. entrei. tinha um aroma agradável, as pessoas pareciam ser simpáticas por ali. ouvia-se um barulho no ar, um misto de conversas agradáveis e risos abafados. olhei em frente e vi uma mesa junto da janela, estava á minha espera. cheguei-me até ela e sentei-me. vi um pequeno menu em cima da mesa. pousei a carteira, despi o casaco e dei uma vista de olhos ao menu. chegou uma rapariga, com um corpo um pouco invejável e disse-lhe que queria só um café. ela olhou-me com um sorriso e disse que iria trazê-lo num instante. virou as costas rapidamente e seguiu o seu caminho até á cozinha. recostei-me na cadeira e pus-me a aperciar a paisagem. era uma cidade pacata, via-se pessoas a passearem na rua, uma fonte no meio de uns prédios. vi umas adolescentes a passearem e a rirem-se bem alto. também vi uns casais de mão dadas, a conversar abertamente. sinceramente até nem me importaria de viver ali. os meus pensamentos foram interrompidos com uma mão sobre a minha:
- está aqui o café menina.
não percebi a expressão 'menina' se, pelo aspecto, eu até deveria ser mais velha do que ela mas fiz um aceno e agradeci. o café sabia a um café tipico servido á pressa numas máquinas industriais. era um pouco amargo mas não pus açúcar. bebi-o em goles leves e lentos e deliciei-me a observar as pessoas que passavam por ali. quando acabei, dirigi-me ao balcão para pagar e a rapariga virou-se para mim e disse:
- parece triste, tem alguma coisa?
tenho de confessar que fiquei um pouco atónita com a pergunta, mas para não parecer mal educada respondi que estava tudo bem e agradeçi a preocupação. despachei-me o mais rápido possível porque a mulher deixara-me desconfortável. desci o escada e depois parei por instantes. tinha medo de o encontrar. tinha-me dirigido aquela terra por motivos de trabalho, porque eu trabalhava numa empresa imobiliária e o meu trabalho era vender casas. tinham-me pedido, muito urgentemente, para me dirigir ali e ver uma casa que tinha sido constrúida recentemente e tratar do negócio. aquilo ficava a 2h da minha casa, sensivelmente, mas receava que eu me deparasse com ele porque eu sabia que depois de termos acabado ele tinha decidido ir morar para lá. a nossa relação sempre fora muito aberta e sem perconceitos, mas talvez pela a falta de emepenho de ambas as partes a nossa relação começou a tornar-se monótona e eu sempre pensei que uma relação ou flui naturalmente ou então não vale a pena, porque coisas forçadas nunca dão certo.
dei comigo em plena rua, com medo de ter de me deparar com a cara dele de novo, porque apesar de ambos termos decidido terminar com a nossa relação, não foi fácil esqueçer uma relação que durou 5 anos. não poderei dizer que a esqueçi, porque há marcas que por mais que uma pessoa queira apagar, não consegue. afastei esses pensamentos da minha cabeça porque estavam a por em causa a minha capacidade de concentração e raciocínio. entrei no carro e tirei um mapa da parte lateral da porta, onde já se encontrava um pucho e uma embalagem de pastilhas meia cheia. abri-o para ver onde é que eu estava e para onde deveria ir. passado alguns minutos a estudar minunciosamente o mapa, fechei-o e arranquei estrada fora. o caminho até á casa fez-se rápido porque a estrada era no meio daquela pequena terra e assim deu para descontrair um pouco para o longo dia de trabalho que me esperava.
a casa era um tanto moderna, com uma grande porta cinzenta que contrastava com as janelas brancas. não era a casa dos meus sonhos, mas era acolhedora sem dúvida. estacionei o carro e saí cá para fora. como estava um dia quente, decidi deixar o casaco no carro e realçar as minhas curvas que toda a gente dizia que eu tinha, mas sinceramente nunca as vi em lado nenhum. entrei na casa e reparei num rapaz, de estatura média (até um pouco baixo para a maioria dos rapazes que eu conheço), com um aspecto cuidado, cabelo grisalho e olhos castanhos chocolate.
- bom dia, estou aqui por causa da venda desta casa. - informei.
- oh! bom dia. espero-a já há algum tempo.
- desculpe o atraso, mas demorei um pouco a chegar aqui.
- não há problema porque de qualquer das maneiras eu tambem não tenho pressa. - sorriu-me.
bem, era impressão minha ou as pessoas eram muito simpáticas naquela terra? toda a gente me sorria, se preocupava, parecia que ainda havia tempo para as coisas simples da vida como dar um passeio ou passar uma noite a comer pizza com a companhia certa.
demorámos cerca de 2h a tratar da papelada. ele mostrou-me a casa e fez aquela conversa de circunstância, típica de vendedor.
depois disso, despedi-me com um aperto de mão e dirigi-me para o carro. com isto tudo já era hora de almoço e eu decidi voltar para casa quanto antes porque não estava para arriscar a deparar-me com ele, isso é que não. entrei no carro, rodei a chave e não pegou. rodei outra vez e continuou a não pegar. rodei mais uma, duas e tres vezes e o carro não pegava. á 5ª tentativa parei e pensei para mim 'sempre fui uma pessoa com muita sorte, hein'. poderia tudo acontecer naquele dia, mas isto é que não. o vendedor já se tinha ido embora, eu não conheçia ninguem ali, estava sozinha e ainda por cima estava sem bateria no telemovel. o que me restava fazer era sair do carro e procurar ajuda num café próximo. saio do carro, começo a andar uns 20 metros e deparo-me com um homem de aproximadamente 1,75, cabelo castanho claro e olhos avelã. era ele. olha para mim com um sorriso surpresa. as pernas começam-me a tremer e eu não consigo dizer nada. lá teve de ser ele a quebrar aquele silêncio.
- olá Leonor. tu por aqui?
fiquei calada por uns instantes.
- Leonor? está tudo bem?
- sim está. olá Miguel. - era o máximo que conseguia dizer.
- por aqui?
- sim, é verdade. tive de vir aqui ver uma casa nova.
- ah! eu sei qual é. é perto da minha.
- hum. então e está tudo bem contigo?
aquela conversa de circunstância sempre me irritou.
- comigo está claro. então e a tua mãe, está melhor?
- está melhor desde a última vez que a viste, mas poderia estar melhor. - sorri e olhei para o horizonte.
- já almoçaste? - aquela pergunta pareceu-me um pouco surreal, mas tantei disfarçar.
- não. era para ir para casa porque já resolvi tudo por aqui, mas imagina? o meu carro não pega. - fiz um ar irónico e cansado.
- sempre tiveste muita sorte.
ri-me.
- é verdade sim senhor.
- bem, eu conheço um restaurante muito bom e fica a pouco tempo daqui. anda daí. eu empresto-te o telemóvel para tu ligares para te virem buscar o carro.
parecia-me tão atencioso e disponível. com o sol a bater-lhe na cara parecia-me um ser eterno e ainda era mais bonito do que eu o achava. não tive opçcão se não ser aceitar.
- pronto, está bem. mas não me posso demorar.
- claro que não Leonor, sempre fui um tipo responsável. - esboçou um sorriso traquina.
ele tinha razão em dizer que o restaurante era perto, porque nem dei pelo o tempo passar. secalhar foi mais pela companhia, porque ele estava especialmente falador naquele dia.
o restaurante era pequeno, mas realmente agradável. tinha as paredes brancas, com quadros de todos os tamanhos e feitios e com uma música ambiente dos anos 80. puxou-me a cadeira para me sentar, sempre fora assim e não estranhei.
- este sítio parece-me bastante acolhedor. costumas vir aqui muitas vezes? - perguntei com curiosidade.
- quando calha. sabes que não passo a vida em restaurantes, mas já vim cá algumas vezes com amigos. - disse-me já com os olhos postos no menu.
- hum... o que vais pedir?
- peço sempre o mesmo. não sei porque é que perco sempre tempo a ver o menu. - deu-mo para as mãos.
- quero o mesmo que tu.
- vou pedir açorda de marisco. dizem que é uma espeçialidade.
- acho bem. achas que uma dose dá para nós os dois?
- dá e sombra. aquilo vem numa panela grande.
o almoço decorreu com normalidade. falámos do nosso trabalho, dos nossos amigos em comum, das férias, de muita coisa. com o Miguel sempre fora assim. ele por mais tempo que passasse tinha sempre alguma coisa para falar. é sempre bom estar na companhia de alguém assim.
- eu pago. - disse-me ele com ar inquisidor.
- dividimos. - disse eu confiante.~
- não. eu convidei, eu pago. deixa-te disso.
- miguel não é justo. custa-te muito? deixa-te tu disso.
- leonor deixa-me ofereçer-te isto, vá lá.
- pronto, está bem. - levantei as mãos em sinal de concordância.
viemos cá para fora, telefonei á empresa para me virem buscar o carro. disseram-me que estavam lá daqui a 20 minutos e dei graças a deus por demorar tão pouco tempo.
- olha lá, eles veem buscar o teu carro nao é?
- é o que este tipo de empresas fazem, sabes? - brinquei um bocado.
- então e como é que vais para casa?
- não tinha pensado nisso...
- eu levo-te.
- não miguel, não é perciso. emprestas-me o teu telefone e eu ligo a alguem.
- ó leonor, vais estar a chatear alguem a esta hora porque? eu não tenho nada para fazer, por isso posso-te levar.
- tenho sempre de concordar contigo? - revirei os olhos e dei-me por vencida.
- tens sempre sim.
- está bem. - concordei.
fomos até ao sítio onde estava o carro e sentámo-nos á beira do passeio á espera da assistência.
os minutos passaram rápido e eu estava cada vez mais a apreciar a companhia dele, embora não quizesse acreditar nisso.
a assistência levou o carro e pouco depois estava eu no carro dele, a ouvir rádio, com a janela aberta e a levar o vento no cabelo.
- sempre gostaste muito tu de por a cabeça de fora e apanhar com o vento na cara.
- por acaso sempre foi uma coisa que gostei. ao contrário de ti, que queres tudo fechadinho por causa das aragens.
olhou para mim indignado e eu sorri-lhe. devolveu-me o sorriso.
- sabes que eu sou uma pessoa muito sensível.
- oh, pois és!
rimo-nos os dois, uma gargalhada simples mas sentida. a verdade é que tinha saudades dele e já me tinha esqueçido da sensação de bem estar que ele proporcionava. o caminho, como tudo naquele dia, passou rápido. entretemo-nos a ouvir música e a trautear algumas delas. tagarelámo-nos e rimo-nos um com o outro e um do outro. tinha chegado a casa e estava na hora de nos despedirmos. ele sai do carro e abre-me a porta. agradeço com um aceno e um sorriso tímido.
- bom, gostei muito da tarde. já tinha saudades tuas. - olha para o chão e observa os pés.
- tambem tinha saudades tuas miguel. - não tirei os olhos dele.
silêncio.
- queres entrar um pouco? a minha casa está um pouco diferente, fiz umas remodulações.
- adorava.
subimos as escadas em silêncio e abri a porta.
-tchantamtamtam. - abri-lhe a porta e fiz um movimento de braço para a sala.
- uhhh. pintaste a parede de vermelho, sempre quiseste isso. e compraste um sofá novo e olha.. começaste a por flores no jarro.
- pois, parece que temos de fazer certas decisões. senta-te. queres alguma coisa para beber?
- pode ser um copo de água, tens? tenho sede.
- sim, espera. vou buscar.
- sabes que não percisas, ainda sei onde são os copos. - levanta-se e vai á cozinha. sento-me no sofá e ligo a televisão. zapping. nada de geito aquelas horas da tarde.
volta e senta-se ao meu lado.
- não trabalhas mais hoje? - perguntou-me sem desviar o olhar da televisão.
- não. sabes que nesta altura do ano o trabalho não é muito e despachei tudo ontem porque pensei que a visita á casa hoje demorasse mais tempo, mas afinal até foi bastanta rápido.
- vês? até valeu a pena ires ver a casa. - desta vez olhou para mim mas eu nao desviei o olhar da televião apesar de só estar a dar anúncios.
ficámos um pouco em silêncio e eu começei a recordar tudo o que tinhamos vivido no passado. apesar da nossa relação ter acabado o que eu sentia por ele não tinha morrido. era capaz de sentir a barriga ás voltas, o coração aos saltos, as maos a termerem-me sempre que ele me olhava.
- porque é que isto não resultou? - escapa-me em voz alta.
não pareceu muito supreendido.
- isto o quê? - a fazer-se de parvo.
- isto, nós. eu gostava muito de ti.
- não sei leonor mas acho que percisavamos de tirar férias um do outro.
- é, eu tambem acho isso. estou feliz por te ter encontrado hoje.
- eu tambem.
silêncio. passado um bocado eu enconsto-me no ombro dele. começa-me a fazer festas no cabelo. oh, como eu sentia saudades dele! aquele seu toque fazia-me arrepiar desde a pontinha dos pés até á pontinha dos cabelos. o intrevalo do programa que estava a dar acaba. não trocámos mais nenhuma palavra, mas de repente ele mexe-se e eu levanto a cabeça do ombro dele e olho para ele para ver se estava tudo bem. nesses instante ele aproxima-se de mim e beija-me. deito-me para trás no sofá e ele beija-me a cara, o pescoço, as orelhas. começa-me lentamente a abrir o fecho do vestido porque não havia pressas. aquele tempo todo sem ele, fez-me perceber que temos de dar tempo ás coisas para elas assentarem. o que eu sentia por ele não desapareceu e, pelo contrário só se tornou mais sólido. eu amava-o e estava disposta a tudo para ficar com ele. pela maneira como me amou naquela tarde, tambem me pareceu que ele estava disposto a abdicar de tudo para um novo começo. afinal, não havia pressa.
5.4.10
enfrentar os problemas
basta chegar, por o pé no meu espaço para sentir tudo outra vez, um misto de raiva e desilusão. deixem-me ir, estava tão bem com a minha própria calma. as palavras lá faziam-se sentir, mas estava sempre rodeadas de boas energias. o sol batia-me na cara todos os dias e, como dizem e com muita razão, o sol faz maravilhas. fez-me também a mim porque deu para por os pensamentos rotineiros de parte e deixar de parte tudo o que me faz deitar lágrimas. mas basta chegar, já com novas expectativas e carregada de novas proposta e planos, espereitar para o meu espaço para ver tudo o que eu deixei. agora não consigo fugir, não consigo bater com a porta na cara como fiz em tempos. tenho de enfrentar os problemas, para que eles desaparecam de cima das minhas costas e para que, mesmo em tempos de sol radiante eu consiga pensar neles sem ficar transtornada. diz-se que para conseguir ultrapassar os problemas há que falar neles e é o que eu tento fazer quando ponho tudo o que sinto para aqui. por entre montes de palavras, o que eu sinto faz-se notar mas só os mais cultos de alma conseguiram notar. e mesmo assim vão ter alguma dificuldade. sou inconstante e sinceramente, já tive mais orgulho de ser assim.
os problemas agora batem-me na cara e invadem os meus sonhos e os meus pensamentos sem eu os conseguir controlar. queria poder fazer para o tempo e organizar a minha cabeça.. acho que ela percisa de umas férias, longe daqui, num sítio onde o mar é transparente e o sol bate na cara todos os dias, onde não existem problemas nem preocupações, onde a paz e calma reina como se fossem um só.
estou simplesmente cansada de esperar que as coisas mudem e que o mundo decida finalmente girar a meu favor
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